02.07.17 – O gigante que Davi não venceu

De novo, fizeram os filisteus guerra contra Israel. Desceu Davi com os seus homens, e pelejaram contra os filisteus, ficando Davi mui fatigado. Isbi-Benobe descendia dos gigantes; o peso do bronze de sua lança era de trezentos siclos, e estava cingido de uma armadura nova; este intentou matar a Davi. Porém Abisai, filho de Zeruia, socorreu-o, feriu o filisteu e o matou; então, os homens de Davi lhe juraram, dizendo: Nunca mais sairás conosco à peleja, para que não apagues a lâmpada de Israel. Depois disto, houve ainda, em Gobe, outra peleja contra os filisteus; então, Sibecai, feriu a Safe, que era descendente dos gigantes. Houve ainda, em Gobe, outra peleja contra os filisteus; e Elanã, filho de Jaaré-Oregim, o belemita, feriu a Golias, cuja lança tinha a haste como eixo de tecelão. Houve ainda outra peleja; esta foi em Gate, onde estava um homem de grande estatura, que tinha em cada mão e em cada pé seis dedos, vinte e quatro ao todo; também este descendia dos gigantes. Quando ele injuriava a Israel, Jônatas, filho de Siméia, irmão de Davi, o feriu. Estes quatro nasceram dos gigantes em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão de seus homens. (2 Sm 21.15-22)

Ao refletir sobre essa passagem, podemos perceber como Deus trabalha numa geração para influenciar outra a fim de manifestar a sua glória. Davi e Abisai representam duas gerações. Davi representa uma geração de líderes levantada por Deus com uma unção de conquista, e Abisai representa a geração seguinte que foi treinada por Davi e que herdou a mesma unção. Essas duas gerações apontam para a geração de pais e filhos que existem hoje na igreja. Assim como Deus usou Davi para inspirar e treinar Abisai a matar gigantes, Deus quer nos usar para treinar a próxima geração para desfazer as obras do diabo.

1. Cada geração tem o seu gigante
Foi a vitória sobre Golias que deu a Davi o reconhecimento diante da nação de Israel. Nesse sentido, hoje, vencer o nosso Golias também nos faz conhecidos no mundo espiritual. Contudo, não basta somente identificar os inimigos, é preciso usar a nossa autoridade espiritual por meio da oração, porque é assim que vamos subjugá-los. A questão é: será que Abisai está sendo treinado? Ou seja, será que a próxima geração de líderes, que é esta geração de crianças, está sendo preparada para enfrentar os seus gigantes? De quem é a responsabilidade de treiná-los? É o que vamos ver a seguir.

2. Cada geração tem os seus valentes
Quando afirmo que cada geração tem os seus valentes, é porque creio que Deus levanta pessoas e ministérios específicos para enfrentar resistências espirituais que ainda não foram confrontadas no mundo espiritual e por isso essas forças malignas continuam atuando. A primeira vez que Davi enfrentou um gigante ele não sabia como fazer, ninguém antes tinha vencido um gigante com uma funda, foi algo inédito. Mas, com o tempo, esse episódio também se tornou história, e foram surgindo outros gigantes para serem vencidos. Portanto, Davi precisava treinar outros matadores de gigantes, pois a nação de Israel dependia desses valentes para protegê-la. Foi com esses homens que Davi estendeu e estabeleceu o seu reino em Israel (1Cr 11.9).
Os valentes de Davi
Esse termo “valente” significa “homem de coragem”, pois eram homens corajosos e enfrentaram inimigos fortes. Em 1 Crônicas 12, encontramos a descrição desses valentes quando eles vieram se ajuntar com Davi. Essa descrição mostra que não eram homens comuns, eram homens de guerra (1Cr 12.1-14). Entre os valentes de Davi, encontramos novamente o nome de Abisai, o mesmo descrito no texto de 2 Samuel 21, que matou o gigante que Davi não venceu. Abisai era irmão de Joabe, o capitão do exército de Davi. Ambos eram sobrinhos de Davi e eram homens de guerra (2Sm 23.18). A eficiência desses homens não era apenas devido às suas habilidades na guerra, mas também porque receberam do mesmo espírito que estava sobre a vida de Davi (1Cr 12.18).
De um valente, Deus levanta muitos
Temos aqui um princípio espiritual muito importante, o princípio da multiplicação de líderes. A bênção de Deus estava sobre Davi, mas o trabalho de expansão do reino de Israel não estava apenas em suas mãos, mas na do exército de Israel. Isso se aplica a nós hoje, pois não fazemos a obra de Deus sozinhos. Nossos discípulos precisam de nós para ser treinados na batalha espiritual, e nós também precisamos deles para lutar conosco, para ser enviados a lugares aonde não vamos e para enfrentar gigantes que não enfrentaremos. Hoje, quando a igreja investe no ministério com crianças e no treinamento delas como líderes, é preciso entender que é um investimento para o reino de Deus.
3. Uma geração estabelece o padrão para a próxima
Um padrão é um modelo. Ele serve como referencial para reproduzir outros. Quando Deus levanta um valente numa geração, o alvo é reproduzir outros nesse mesmo padrão. No dia em que Davi derrotou Golias, ele estabeleceu um novo padrão em Israel. Esse padrão era: matar gigantes.
Um ministério sem padrão
Primeiro de tudo, é preciso entender que não podemos ter um ministério com crianças sem padrão. Quando a igreja investe no ministério com crianças e valoriza os líderes de crianças, três coisas importantes acontecem: primeiro, os pais começam a valorizar também; segundo, os líderes de crianças se sentem valorizados e motivados para realizar um trabalho com qualidade; e terceiro, as crianças são atraídas para a vida da igreja, porque elas entendem que têm valor para Deus. Uma vez que esses vínculos são estabelecidos, as crianças vão crescer e aprender conosco o que é ser igreja.
O padrão de Jesus
Jesus estabeleceu um padrão para o seu discipulado (Mt 10.8). Esse padrão permanece até hoje. Todavia, não é um padrão apenas para pastores, e sim para todos os discípulos de Jesus, incluindo homens, mulheres, jovens e crianças. Em João 17, Jesus nos mostra o modelo de um líder intercessor. Jesus não apenas ensinava os seus discípulos, mas também orava por eles, para que pudessem ser bem-sucedidos assim como Ele foi. Hoje, o grande diferencial do ministério com crianças que lideramos é, sem dúvida alguma, a oração. Se o alvo do nosso ministério é formar discípulos de Jesus, então precisamos fazer como Jesus fez com os seus discípulos, pois Ele é o nosso padrão ainda hoje.
O padrão dos milhares
O padrão de Jesus pode ser alto para alguns, mas ele é o padrão da Bíblia, e Ele mesmo o estabeleceu para nós. Portanto, ser um discípulo não é apenas um alvo a ser alcançado, antes de tudo, é o ponto de partida para o nosso ministério. Se queremos formar discípulos de Jesus desde a infância, precisamos colocar à frente desses ministérios líderes que sejam verdadeiros discípulos. Dessa maneira, vamos garantir que o DNA de discípulo seja transferido para a próxima geração.
4. Os valentes são reconhecidos pela sua filiação
No Evangelho de Mateus, encontramos não apenas a filiação de Jesus, mas também a sua genealogia para comprovar a sua origem. Encontramos esse mesmo princípio de filiação no texto de 2 Samuel 21, que descreve a filiação dos valentes que lutaram com Davi. Porém, é interessante observar que, quando a Bíblia descreve os gigantes, a descrição se restringe à sua aparência. Aparência aponta para aquilo que é meramente humano, cuja fonte é uma habilidade natural, enquanto a filiação fala de origens, de DNA, de herança espiritual, que são transferidos de pais para filhos. Portanto, não importa a sua aparência, e sim a sua filiação: Quem gerou você em Cristo? Quem o ensinou a manejar a espada? Os gigantes sempre têm aparência, mas os valentes de Deus têm a unção. Por isso, quando a Bíblia vai descrever os valentes de Davi, ela não se preocupa em falar de sua aparência nem de suas armas, apenas da filiação (2Sm 21.17,19).
Filhos espirituais são gerados no discipulado
Este é o propósito do discipulado na igreja. Embora nós não discipulamos crianças, cremos que, ao ensiná-las, podemos liberar sobre elas a unção de Deus que está sobre nós. Davi tinha um exército poderoso porque ele era um homem de visão. Assim, ele investiu na geração mais nova. Isso é evidente na Bíblia, pois o texto bíblico menciona dois de seus sobrinhos, Abisai e Jônatas. Eles estavam entre os valentes que venceram aqueles gigantes. Por essa razão, precisamos adotar essa geração de crianças como filhos espirituais, com o alvo de treiná-los e preparar o seu espírito para que possam enfrentar e vencer gigantes. Deus pode e quer usar as crianças. E, quanto maior o inimigo, maior é a glória de Deus. As crianças podem subjugar os espíritos malignos, porque elas estão entre os que creem (Mc 16.17).

5. Os valentes fluem na mesma unção
Fluir na mesma unção dos nossos pais espirituais não é automático. Contudo, com certeza, se tem alguém que tem maior probabilidade de experimentar isso, esses são os nossos filhos espirituais. Os filhos espirituais são aqueles que geramos em Cristo com oração; aqueles que ensinamos, treinamos e discipulamos. Acredito que, dentro daquele contexto de Israel, Davi cumpriu o propósito de levar os seus liderados e fluir na mesma unção que ele tinha. Davi tinha sobre ele a unção de rei, que lhe dava ousadia para enfrentar inimigos e também autoridade para conquistar territórios.
Para receber uma unção, é preciso ter uma atitude de submissão em relação àqueles que têm a unção. Esse princípio espiritual está presente na aliança que Davi fez com esses homens. Ao se submeterem a Davi, eles estavam reconhecendo a sua unção e se submetendo a ela. Quando você se submete a uma pessoa levantada por Deus, você precisa reconhecer a unção de Deus que está sobre ela, e não apenas a sua posição.
Uma coisa é certa: Deus levanta líderes, mas somos nós quem os treinamos. Mas como levá-los a fluir na mesma unção? Quero compartilhar dois aspectos práticos que podem ser aplicados no seu discipulado e também com o seu rebanho.

1. Faça a sua unção conhecida e acessível
A unção de Davi se tornou conhecida quando ele venceu Golias. Todavia, depois ela se tornou acessível quando ele formou uma equipe e passou a liderá-la. Como você pode fazer a sua unção conhecida? Vamos falar primeiro em relação aos líderes – aprenda a trabalhar em equipe! Faça o que tiver que fazer juntamente com os que você lidera para que eles possam ver e aprender a fluir na mesma unção que você. Segundo, vamos falar do mesmo aspecto em relação ao rebanho, no nosso caso, as crianças – como fazer a sua unção conhecida e acessível? Testemunhe a respeito daquilo que Deus tem feito em sua vida e por meio de você, com o intuito de despertar nas crianças o interesse pela unção. À medida que elas aprendem a Palavra e veem os líderes profetizando, elas também começam a profetizar. Isso é fluir na mesma unção.

2.Treine o espírito deles
Para que a unção possa fluir, é preciso treinar primeiro o espírito. Por isso, treine o espírito dos seus líderes e das crianças. Como? Primeiro, ensine-os a discernir a voz de Deus. Segundo, ensine-as a discernir o inimigo. As crianças precisam saber que elas têm um inimigo e que esse inimigo é o diabo. Abisai soube identificar o inimigo e, no momento certo, o subjugou. Nós treinamos o espírito das crianças quando as ensinamos a orar, a declarar o que está escrito na Palavra de Deus, a memorizar a Palavra, a ouvir a voz de Deus no seu espírito, a adorar ao Senhor de todo coração, a orar com os enfermos, a profetizar e a testemunhar falando de Jesus para os seus amigos. Tudo isso exige fé e abre o coração das crianças para a ação do Espírito Santo na vida delas.

3.O poder da unção
O propósito de Deus somente pode ser cumprido por meio da unção. No Velho Testamento, a unção era feita com óleo ou com azeite. Na Bíblia, o óleo tem muitas utilidades, mas uma delas é de ser “combustível”. Assim também nossa luz somente pode brilhar diante do mundo se houver o azeite do céu. As crianças podem receber Jesus no coração e podem ser cheias do Espírito Santo. Elas podem começar hoje a fluir na unção de Deus e, com certeza, quando crescerem, serão como luzeiros neste mundo. Acredite! A próxima geração enfrentará gigantes que nós não enfrentamos, mas ela o fará na mesma unção que nós o fizemos. Antes de esse tempo chegar, precisamos ensiná-las a fluir na unção de Deus.

6. Os valentes fazem parte de um exército
A igreja é o exército de Deus na terra, mas não somos nós quem lutamos, é o nosso Deus quem luta por nós. Por isso, servimos a um Deus conhecido como o Senhor dos Exércitos (2Sm 7.26). Davi venceu Golias por causa da unção, mas ele subiu ao trono porque tinha um exército. Quando Deus quis ungir Davi como rei, enviou o profeta Samuel até ele; porém, quando quis entregar-lhe o reino de Israel, Deus lhe deu um exército (2Sm 10.7).
A verdade é que estamos em guerra! Existe hoje uma ação maligna e maciça no mundo agindo para formar a mentalidade do anticristo. Estamos aqui para conquistar o coração das pessoas para Cristo, isso inclui as crianças. Temos à nossa frente uma geração para alcançar e para treinar, e precisamos prepará-la bem, porque estamos debaixo de uma ordem divina. Ainda há tempo de mudar o fim da história! É bom lembrar-nos de que a Bíblia encerra o texto de 1 Samuel 21 descrevendo as obras dos valentes de Davi. Certamente, um dia, nós também conheceremos aquilo que foi registrado a respeito das nossas obras (2Sm 21.22).

Perguntas para compartilhar:

– Você tem investido na próxima geração?
– O que é gerado através do discipulado?
– Qual é a chave para que um ministério seja bem-sucedido?

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