“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”(Is 53.5)

 

Confissão:Cristo se tornou o que eu era, para que eu me tornasse o que Ele é .Pela sua morte, eu recebi a sua vida. Pelo seu castigo, eu fui perdoado. Pelas suas pisaduras, eu fui sarado. Ele veio a mim para que eu pudesse ir a Deus. Ele tomou a cruz que era minha e me fez participante do trono que é seu. Ele se fez filho do homem para que eu pudesse ser filho de Deus.

 

10.05.17 [18º Dia Jejum O PÃO DOS FILHOS] –A ALIANÇA DE SANGUE

 

Deus projetou criar na terra alguém que fosse uma expressão de si mesmo. Ele disse: “Façamos o homem conforme a nossa imagem e semelhança” (Gn 1:26). Deus então coloca esse homem na terra para expressar a sua autoridade e refletir a sua natureza e sua glória.

Este homem, porém, comete alta traição contra Deus e vende-se à escravidão do pecado, tornando-se escravo de Satanás. Mas Deus, por causa do seu grande amor, não desiste do homem e declara o seu plano ao inimigo: “Tu fizeste uma aliança com o homem, usando a mulher e, pelo engano, entraste na Terra. Pois eu te digo: eu usarei a mulher e colocarei dentro dela a minha semente. Eu trarei à Terra um outro filho. Este filho será gerado da minha semente, não da semente do homem, porquanto a semente do homem foi corrompida; mas eu colocarei a minha semente dentro da mulher e esta semente virá, será um homem, porque eu dei a Terra aos filhos dos homens, esta semente vai destruir o seu poder” (Gn. 3:15).

Dois mil anos se passam sobre a Terra, e Deus começa a pôr em operação o seu plano. É um plano que virá através de uma aliança de sangue.

O primeiro sangue derramado na Bíblia foi no próprio jardim do Éden. Foi Deus mesmo quem imolou o primeiro cordeiro, e fez cair o seu sangue sobre a terra. Por quê? Existia uma aliança entre Deus e Adão. Como o homem quebrou a aliança ele deveria morrer, mas o cordeiro morreu no seu lugar.

Muitas pessoas pensam que aliança é o mesmo que um contrato. Num contrato existem cláusulas de rescisão, mas uma aliança não pode ser quebrada. A pena para aquele que quebra a aliança é a morte. Adão, porém, não morreu, mas Deus matou o cordeiro no seu lugar e com a sua pele fez roupas para o homem e sua mulher.

A marca daquele sangue no Éden percorre toda a Bíblia até ao Apocalipse; onde, por vinte e oito vezes Jesus Cristo é chamado o cordeiro de Deus.

A vida está no sangue. Onde há derramamento de sangue, significa que houve derramamento de vida. A aliança de sangue que existia entre os povos antigos, nasceu no coração de Deus.

 

O que é uma aliança de sangue?

Uma Aliança de sangue é um contrato entre duas pessoas, tão sagrado que jamais poderá ser quebrado, sob pena de morte. Por esse contrato, todas as coisas se tornam em comum: o que é meu se torna seu; o que é seu se torna meu. Meus bens são seus, seus bens são meus; minhas dívidas são suas, suas dívidas são minhas. Eu não preciso lhe pedir coisa alguma, posso chegar e pegar, são minhas.

Todos os povos da antiguidade conheciam a aliança de sangue e ainda hoje povos africanos e  orientais ainda praticam a aliança de sangue. Satanás sabe do poder que existe atrás de uma aliança de sangue (ou pacto) e ele também faz alianças de sangue. A máfia, o ocultismo, a maçonaria conhecem o poder que existe atrás desta aliança, pois sabem que é sagrada, por isso fazem pactos de sangue. Mas, aliança de sangue nasceu em Deus.

Várias eram as cerimônias que os judeus, os hebreus, seguiam, quando faziam uma aliança com uma pessoa. A primeira delas era a troca da túnica. A túnica simboliza a vida e quando eu tiro a túnica e lhe dou, isso significa que estou lhe dando a minha vida.

Outra forma era a troca do cinto, que servia para ajustar a arma e fala de segurança, e, quando trocavam o cinto, estavam dizendo: dou-lhe a minha defesa e a minha proteção. Quem luta contra você, luta contra mim.

Uma terceira cerimônia era o sacrifício do cordeiro. O animal era morto e cortado em metades, então uma metade era colocada de frente a outra; e os dois parceiros de aliança caminhavam por entre as partes, formando a figura de um oito, que representa o infinito. O símbolo é este: eu morri e você também morreu; e agora começamos uma nova vida como parceiros de aliança; e esta aliança é eterna.

Outra cerimônia era o corte da mão ou do pulso. As duas pessoas misturavam o sangue declarando que a vida de ambos agora estava misturada.

Depois eles partiam o pão e bebiam do cálice. Ao comerem juntos estavam dizendo: a minha vida está entrando na sua e a sua vida está entrando na minha; somos irmãos de sangue, irmãos de aliança.

Por fim eles trocavam os nomes. Eu recebo o seu nome e você passa a usar o meu, significando que eu tenho direito a tudo quanto o seu nome tem direito. Então, os termos da aliança eram escritos, e em todos eles existiam duas partes: as bênçãos da aliança e as maldições da aliança.

 

Só um filho do homem pode agir legalmente na terra

Quando Deus veio ao encontro do homem, ele não veio pelo engano, veio pela aliança de sangue. A palavra aliança em hebraico é “berite”, que significa cortar com derramamento de sangue e caminhar por entre as partes.

Deus tinha um plano de trazer a sua semente à terra. O Salmo 115:16 diz que “Os céus são os céus do SENHOR, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens.” Isso significa que somente o homem tem direito legal de agir na terra.

Isso significa que sendo a terra dos homens, um homem teria de ser o instrumento da redenção. Mas este homem não poderia ser filho de Adão, porque a semente de Adão estava contaminada pelo pecado, e cada semente produz de acordo com a sua espécie. Mas tinha de ser homem. E é aqui que está a sabedoria de Deus, que não viola a sua palavra, de entrar legalmente no planeta Terra, pela porta.

Em João 10:1, Jesus fala de duas portas. Ele diz que o ladrão não entra pela porta: “O que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador”. Jesus está falando de Satanás nesse versículo. O aprisco é a Terra, as ovelhas são os filhos dos homens e a porta de entrada na terra é o nascimento físico. Satanás não nasceu aqui. Ele não é filho do homem; entrou por outra porta, tomou emprestado o corpo da serpente. O Senhor, porém, diz no verso 3: “O Pastor, esse entra pela porta e o porteiro lhe abre a porta”. O porteiro é o Espírito Santo de Deus. Jesus entrou na terra pela porta.

A partir de Gênesis 12 Deus chama Abraão com a intenção de fazer uma aliança com ele. Por meio dessa aliança Deus vai abrir uma avenida legal de entrada, pela porta, no planeta Terra. Deus tem em vista a sua semente. E, a partir de agora, tudo o quanto Deus fizer na terra, terá em vista a sua semente, o Cristo.

 

A nova aliança procede da aliança abraâmica

Em Gênesis 12 Deus chama a Abraão e lhe diz:

Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Ao chamar Abrão, Deus não tem em vista a descendência física de Abrão, mas ele tem em vista a sua própria semente, que viria através da descendência de Abrão. É isto que Paulo afirma em Gálatas 3.

“Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo (Gl. 3:15-16).

Quando Deus olha para Abrão, ele está vendo a sua semente, que será homem e que esmagará a cabeça da serpente.

Deus então faz uma aliança com Abrão e segue todos os rituais que mencionei anteriormente. Primeiro Deus chega para Abrão, e ao invés de dar-lhe a túnica, diz: “eu sou o teu escudo, quem luta contra ti, luta contra mim” (Gn 15:1).

Depois Deus manda que Abraão sacrifique os animais. Ele manda que ele pegue três animais da terra e duas aves; a aliança é com o Pai, com o Filho e com o Espírito. Abraão parte os animais ao meio e coloca as metades, uma defronte a outra (Gn. 15:9,10 e 17).

Abraão espera que Deus comece a vir para caminhar por entre as partes. Enquanto espera aves de rapina começam a vir para comer as carnes. Esse é o símbolo de Satanás, que quer destruir a aliança, antes mesmo que ela aconteça. Mas, Deus diz: “Abrão, você vai dormir, porque esta aliança não tem nada a ver contigo.

Enquanto Abrão dorme, Deus estabelece uma aliança. Quando Abrão acorda ele vê que há duas pessoas caminhando por entre as partes; mas o que ele vê? Um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo. O fogareiro fumegante é Deus-Pai, é assim que Ele se apresenta no Sinai, e a tocha é Jesus. Jesus toma o lugar de Abrão, para fazer uma aliança com Deus. Por que Deus não poderia caminhar por entre as partes, com Abrão? Porque, numa aliança, tudo que é seu se torna meu; Abrão era pecador, e Deus não pode se misturar com o pecado. Mas o Senhor Jesus toma o lugar do homem e é assim que a aliança se torna entre Deus e o homem, mas, ao mesmo tempo, entre Deus e Deus.

Deus também ordena que Abrão se circuncide na carne do seu prepúcio, como um sinal de aliança perpétua entre ele e suas gerações. E alguém pode perguntar: “Por que a cicatriz da aliança não foi na palma da mão, mas no órgão reprodutor?” Porque a aliança era com Abrão e a sua descendência, até chegar à semente; a quem as promessas foram feitas e em quem todas as nações da Terra seriam abençoadas.

Deus também muda o nome de Abrão como sinal da aliança. Ele retira parte do seu próprio nome e acrescenta no nome de Abrão. No hebraico, o nome de Deus tem quatro consoantes – YHWH, é o impronunciável. Dentre estas quatro letras do nome de Deus, o “H” que corresponde ao “H” do nosso alfabeto, aparece duas vezes. É exatamente aquela letra aspirada “Ah”. E agora no meio de Abrão, Deus coloca o “Ah”. E Abrão passa a ser Abrahão.

Tudo isso foi feito para que a bênção de Abrahão chegasse até aos gentios e recebêssemos o “Ah”, pela fé.  Esse “Ah” é o sopro de Deus, o Espírito de Deus, a vida de Deus. Esse é o plano! Deus também acrescenta ao seu nome o nome de Abraão. Deus passa a assinar “Deus de Abraão”, esse é o seu sobrenome e significa que tudo o que é de Abraão é meu; e Abrahão significa: Tudo o que é de Deus é meu. Essa é a aliança de sangue!

 

Deus nada negará a Abraão, mas será que Abraão nada negará a Deus?

Os dois se tornam cabeça de aliança. Deus agora tem um homem na terra. Ele está entrando legalmente no planeta terra, via aliança de sangue. Os filhos de Abraão serão filhos de Deus. É a partir daí que a revelação de Deus começa a ser transmitida, porque Deus tem homens na Terra. É por isso que Deus, ao destruir Sodoma e Gomorra, diz: “Posso ocultar o que estou para fazer, a Abraão? De modo algum. Nada faço na terra sem antes conversar com o meu parceiro de aliança”.

É por isso que, quando Deus avisa a Abraão que vai destruir Sodoma e Gomorra, quem estabeleceu limites foi Abraão, e não Deus. Abraão disse: “Tu não vais destruir o justo com o ímpio!? Se houver cinqüenta justos?” Deus disse: Tudo bem! Mas pode ser que faltem cinco, quarenta e cinco? Sim, Senhor – Mas e se houver quarenta? E se houver trinta? Oh! Só mais uma vez: dez!” Deus disse: “Tudo bem, dez”. Quem limitou? Foi Abraão (Gn 18:25-33). Quando você entender isso, não haverá limite para a intercessão. Quando Deus subverteu as cidades de Sodoma e Gomorra, diz a Palavra que “lembrou-se de Abraão e salvou a Ló”. Deus salvou a Ló por causa da sua aliança com Abraão (Gn 19:29).

Está claro que Abraão terá tudo de Deus na Terra, mas perante o tribunal eterno, perante as cortes celestiais, perante Satanás, seus príncipes poderia surgir uma dúvida para questionar a validade da aliança: será que Deus teria tudo de Abraão? Se Deus não pudesse ter tudo de Abraão, a aliança não seria válida.

É aí que vem a tremenda prova da aliança, do capítulo 22 de Gênesis. Deus deu a Abraão um filho. Que filho foi esse? Um filho gerado da promessa – da Palavra viva. A palavra é a semente, e a Palavra produz exatamente o que ela diz.

Quando Sara tinha oitenta e nove anos, e Abraão noventa e nove, o útero de Sara estava morto, envelhecido, mas o Anjo do Senhor libera a Palavra e diz: “dentro de um ano, tu darás à luz um filho” (Gn 18:70). E a Palavra, que é vida, penetra no útero morto de Sara, e o filho da promessa vem: Isaque. Ele é único. Ele é amado. Lembre-se que tudo o que Deus faz tem em vista sua própria semente. Um dia, Deus mandará um anjo do céu a uma filha de Abraão; seu útero será virgem, mas o anjo trará a Palavra e dirá: “darás à luz um filho” (Is 7:14; Mt 1:23). E essa palavra vai entrar no útero da virgem e vai fazê-lo conceber, e o filho da promessa virá à Terra, a palavra se fará carne e habitará no meio de nós, será a semente de Deus na Terra.

Jesus viria da semente da mulher, semente de Deus, não de Abraão, porque a semente de Abraão está corrompida. A aliança lhe permitirá fazer isso porque se Abraão recebeu alguma coisa, Deus também pode receber.

De acordo com as regras da aliança Deus diz: “Abraão, dá-me teu filho. Teu único filho, a quem amas, em sacrifício”. Ele não hesita, porque é homem de aliança. E quem está em aliança, não precisa pedir; diz e está feito. Os céus estão em suspense, os anjos de Deus aguardam; é a ratificação da aliança. Terá Deus do homem tudo o que quiser, como o homem tem tudo de Deus?

Abraão não hesita. Ele mesmo toma o seu filho, seu único filho e por três dias eles vão em direção ao monte do sacrifício (Gn 22:1-4). E durante aqueles três dias a sentença de morte está sobre a cabeça de Isaque. Cada vez que Abraão olha para ele, Abraão o vê no altar imolado. Mas, em chegando ao pé do monte, Abraão se dirige para os seus servos e diz: “ficai aqui, (Gn 22:5) enquanto eu e o rapaz iremos adorar e depois de termos adorado, voltaremos para vós”. Como voltará com ele? – Não sei, mas voltarei. Deus disse que “em Isaque será chamada a tua descendência. E Deus não mente. Eu vou fazer o que Deus me ordenou e Deus fará o que ele prometeu.”

O autor aos Hebreus diz que, quando Abraão foi posto à prova, não hesitou em dar o seu único filho, porque sabia que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde, em figura, o recobrou, embora Abraão não tivesse um único testemunho da história de um morto ressuscitado (Hb 11:17-19). Diz a escritura que “Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça” (Rm 4:3). O sentido exato dessa Palavra no original é este: “Abraão se entregou a Deus com tudo o que era e o que viesse a ser”.

Abraão levanta a mão, está pronto para imolar Isaque. Mas algo acontece antes desse momento cruciante; é a pergunta de Isaque: “Pai, onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gn 22:7). Não tenho dúvidas de que a Trindade nos céus se inclinou. Os anjos, os querubins estavam todos voltados para o que estava acontecendo. Passará Abraão na prova? E quando Isaque diz “onde está o cordeiro?” A imagem do cordeiro sobe até o trono, pois Deus tem a visão do cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. “Onde está o cordeiro?” Abraão levanta seus olhos para o céu. Como profeta, como parceiro de aliança, ele pode dizer agora o que quer de Deus. E Abraão então profetiza: “Deus proverá para si mesmo o cordeiro, meu filho” (Gn 22:8).

Soou a voz da Terra até o trono de Deus. O homem da aliança profetiza: “meu filho, chegará o momento em que Deus proverá o seu próprio cordeiro. O Filho de Deus será o seu cordeiro. Eu estou dando o meu filho e Deus dará o dele”. E coloca naquele monte o nome “Jeová Jireh”: o Senhor proverá. Proverá o quê? O cordeiro.

Quando Abraão levanta a mão para imolar o cordeiro, brada a voz do Senhor, do céu dizendo: “Abraão, não faças nada ao menino, porque agora sei que temes a Deus” (Gn 22:12). No reino do Espírito, diante do tribunal eterno, perante as hostes celestiais está comprovado: Deus terá tudo o que quiser de Abraão. Deus tem tudo do homem, a aliança está selada. O homem terá tudo de Deus, mas Deus também terá tudo do homem. Os propósitos de Satanás serão frustrados.

Satanás tentou discutir com Deus, dizendo que o homem seria incapaz de obedecê-lo, e quando houve um homem justo na terra, Jó, Satanás disse: “pudera, tu o cercaste com sebe, tu o encheste de riquezas. Tira tudo isso e veja se ele não blasfema na tua cara” (Jó 1:9-10). Depois de tudo, quando já não tinha mais nada, nem bens, nem filhos, nem saúde, tinha apenas uma mulher ranzinza, que ficava ao pé do seu ouvido, como goteira irritante dizendo: “amaldiçoa ao seu Deus e morre”. Era a voz do Diabo (Jó 2:9). Jó, porém, se levanta e diz: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra e, ainda na minha carne, verei a Deus” (Jó 19:25-27).

Está provado diante dos tribunais eternos que haverá na terra homens que darão tudo a Deus, a despeito de todas as coisas. Creio que cada um de nós hoje deve se sentir feliz. Adão estava no Éden, com a glória de Deus, e obedeceu a Satanás, nós nascemos da maldade, mas quando a voz do Todo-Poderoso chegou aos nossos ouvidos, nós, nascidos da escravidão do pecado, dissemos não a Satanás, renunciamos ao mundo, e corremos para o Senhor Jesus.

Abraão olha e vê um carneiro (Gn 22:13). O carneiro foi o substituto para o filho de Abraão, mas Deus não teria um substituto para o seu. Bradou segunda vez a voz do Senhor e disse: “Jurei por mim mesmo, diz o Senhor”. Que é isso? O juramento da aliança. Numa aliança solene, havia um juramento, e os escritos aos hebreus declara que quando Deus quis confirmar a promessa com juramento, não havendo alguém maior do que ele, por quem jurar, jurou por si mesmo (Hb 6:13,14). O que isso significa? Cumpro a aliança ou morrerei. E como Deus não pode morrer, a aliança não pode ser quebrada.

“Porquanto ouviste a minha voz e não me negaste teu filho, Abraão, teu único filho, porquanto, o que significa? Abraão, isto que acabas de fazer me coloca numa posição; eu posso fazer agora o que te vou dizer: vou te abençoar, multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar. Quem é este descendente de quem Deus fala no monte Moriá? Cristo Jesus. E o teu descendente possuirá a porta do seu adversário (Gn 22:16,17). Essa é uma expressão idiomática. É a mesma bênção que Labão impetra sobre Raquel, quando a despede: Que a tua descendência possua a porta dos seus adversários. Significa que luto contra os meus adversários e os venço e me coloco à sua porta, como Senhor.

Deus tem em vista o Cristo. Ele está vendo o Cristo sendo gerado através da descendência de Abraão. E diz, em outras palavras: “Abraão, porquanto tu não me negaste teu filho, o teu único filho a quem amas, eis que me colocas na posição de trazer à terra o meu filho amado, gerado das tuas entranhas, através de uma virgem que sairá dos teus lombos e esse meu filho esmagará Satanás, lutará contra ele e se colocará na porta do inferno como o Senhor da vida e da morte. E nele, todas as famílias da Terra serão abençoadas, porquanto ouviste a minha voz”. Está selada a aliança; está estabelecida no céu e na terra. Agora, Deus vai agir até o cumprimento dessa aliança.

Quatrocentos anos se passam o os descendentes de Abraão descem ao Egito e ali se multiplicam. Deus levanta Moisés que os leva ao deserto e ali no monte Sinai Deus vem em pessoa, dá as tábuas da aliança escritas pelo seu dedo, e as entrega aos filhos de Israel. E partir dali os profetas começam a anunciar: “há um filho que vem, há um filho que vem”.

Deus nada faz na Terra antes que seja falado pela boca de um homem; e o profeta declara: “Este será o sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel, que significa Deus conosco (Is 7:14)”. “O governo, e o principado estarão sobre os seus ombros. Ele vai reinar sobre a terra. Um filho nos nasceu. Um menino se nos deu (Is 9:6). Sim! Um homem há de vir.

Durante quase 1500 anos, todos os anos, fielmente, os judeus se reuniam para comerem o cordeiro. Era a comemoração da Páscoa, que significa “passar por cima”.

No tempo em que o povo de Israel foi escravizado no Egito, Deus enviou seu juízo sobre aquela nação na forma de dez pragas. Por ocasião da última praga Deus ordena a Moisés: “cada família tome um cordeiro. O cordeiro seja sem defeito, macho, de um ano. Imolareis o cordeiro no crepúsculo da tarde; tomareis o sangue e o colocareis nos umbrais e nas vergas da porta, e esse será um sinal”, o sinal do sangue do cordeiro. Mas a carne será assada no fogo, para que seja comida. O sangue será vertido, para que o povo seja liberto da morte que virá sobre o Egito, e a casa de Israel não é inocente. Mas o sangue do cordeiro fará diferença. Na porta, onde estiver a presença do sangue, a morte não há de entrar. A carne, porém, será para benefícios físicos, é para comer.

Aquilo que eu como se transforma no sangue que circula nas minhas veias, a vida está no sangue e o sangue é a vida. O alimento que eu como se transforma no sangue que me dá vida e energia. O cordeiro seria comido e entraria nas suas veias e, quando eles comessem o cordeiro, algo aconteceria. Por isso Deus ordenou “assim comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés, cajado na mão, prontos para partir” (Ex. 12).

No Egito, eles eram um grupo de escravos, pobres, doentes e oprimidos, mas quando comeram o cordeiro, a sua condição foi alterada. O Salmo 105:37 diz que quando eles saíram do Egito, partiram com prata e com ouro, com vestes e coisas preciosas, e entre as suas tribos não havia um só fraco, inválido ou doente. Quando sua sorte foi alterada? Quando comeram o cordeiro. E diz o Salmo 107:19-20: “clamaram ao Senhor e Deus enviou a sua Palavra e os livrou do que lhes era mortal”. A Palavra é o cordeiro, e o cordeiro é Jesus.

Quando o anjo da morte passa, são libertos da destruição, mas, mais do que isso, eles são sarados; a carne do cordeiro entra em suas entranhas e se torna vida e saúde para eles. E eles partem, vão pedindo aos egípcios prata, ouro, vestes; encontram graça, saqueiam o Egito e partem – não mais como escravos, mas como homens livres, ricos e saudáveis. Com a força da carne do cordeiro, caminham rumo ao deserto, até que choveu maná do céu.

 

A vinda do filho prometido

Na plenitude dos tempos o anjo de Deus vem até à cidade de Nazaré, onde se encontra uma filha de Abraão. Lembra da aliança? “Tudo o que é de Abraão é de Deus”. Ele traz a semente. “Salve agraciada, o Senhor é contigo. Não temas, darás à luz um filho, seu nome será: Yeshuah Ramashia – o Messias de Israel, o Redentor, o cordeiro, o filho da promessa, que será oferecido pelo Pai, segundo profetizou Abraão.

“Como?” Pergunta Maria, “não conheço nenhum homem!?” “O Espírito te cobrirá com a sua sombra. Pelo que o ente santo que de ti há de nascer, não será chamado filho de Adão, mas será chamado filho de Deus, porque a semente de Deus está entrando pela porta, como homem” (Lc 1:28-35).

O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Lc 2:10,11.

Anjos proclamam do céu. Magos do oriente correm até Jerusalém, perguntam a Herodes: onde nasceu o Rei dos judeus? O inferno se agita, pois por quatrocentos anos, nenhum profeta tinha se levantado. Os magos dizem: “nós vimos a sua estrela no oriente e viemos para adorá-lo”.

Satanás entra em Herodes para matar a semente de Deus. Mas ele não entendeu o mistério da encarnação. Ele não podia matar Jesus. Por quê? O salário do pecado é a morte, e Jesus foi concebido sem pecado. Jesus jamais pecou. A morte não tinha poder sobre ele. Ele morreria, quando decidisse que ia morrer (Jo. 10:17-18).

Herodes manda matar as crianças de Belém, mas Deus fala com José em sonho (Mt 2:13) e ele foge com a semente para o Egito. Satanás acha que matou a semente. Ele não é onisciente e nem onipresente. Ele não viu o que Deus fez e nem sabia que a semente foi gerada de Deus.

Anos depois se levanta uma voz no deserto dizendo: “arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3:2) “Está no meio de vós um que é antes de mim. Eu não sou digno nem de desatar as correias das suas sandálias. Eu estou batizando aqui com água, para arrependimento, mas este que está vindo é maior do que eu, e ele batizará com o Espírito Santo e com fogo. Todo o inferno se colocou de prontidão às margens do Jordão. Quem é ele?

Um dia, um homem de Nazaré vem no meio da multidão, misturado entre as pessoas, homem pacato que crescera em Nazaré, manifestando a vida de Deus; mas ninguém sabia quem ele era.

Quando João olha para ele diz: Eu é quem devo ser batizado por ti, tu vens a mim? (Mt 3:14). Por que João disse isso? Ele era primo de Jesus e certamente conhecia sua vida santa. Naturalmente João admirava seu primo Jesus, e via nele uma vida linda. E quando Jesus chega, João diz: “estou pregando o batismo para arrependimento, me sinto nada diante de ti. Eu te conheço, primo. Eu não vou te batizar. Durante todos estes anos nunca vi nenhuma mancha em ti. Tu és alguém muito especial. Não vou te batizar, eu é que preciso de arrepender-me, mas, em ti não vejo mancha alguma. Jesus disse: “deixa por enquanto, porque a nós convém cumprir a justiça de Deus” (Mt 3:15).

João imerge Jesus e no momento em que ele o levanta das águas os céus se abrem e, se um dia um anjo, que assiste no trono de Deus, chegou a Maria para anunciar que o Filho vinha; se o coral de anjos veio para anunciar aos pastores que ele tinha chegado; Deus-Pai toma a si a missão sublime de anunciar à Terra o início da sua missão. Sua voz ecoa do trono da graça, enche os céus, a terra e as regiões celestes: “este é o meu Filho amado, em quem tenho prazer. É ele o meu Filho” (Mt 3:17). E João vai à frente e grita: “É ele o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29,36). É ele! Eu vi o Espírito Santo descendo sobre ele!

Satanás e seus anjos ouviram, é este o filho de Deus. O inimigo encontrou o primeiro homem, Adão, de estômago cheio; mas encontrou o último Adão de estômago vazio, no meio das feras, com fome (Mt 4:1-11). E Jesus olha para Satanás e diz: “Arreda, Satanás. Não estou aqui para fazer aliança contigo. Estou aqui para esmagar a tua cabeça. Eu estou aqui para brigar contigo, e pela violência do reino de Deus, que já chegou, tu serás expulso.

Dali partiu Jesus, para a Galiléia, no poder do Espírito Santo. Onde ele viu um doente: sê sarado! Onde viu demônio: sai correndo! E os demônios lhe obedeciam. Onde ia Jesus, ele desfazia as obras do Diabo, anunciando: “o reino dos céus já chegou! (I Jo 3:8). E o reino de Deus está dentro de vós. O governo de Deus começa a entrar dentro do coração do homem para transformá-lo (Lc 17:21).

Mas o Senhor veio para ser o nosso cordeiro pascal. E para a Páscoa cada cordeiro tinha de ser inspecionado por quatro dias completos, antes de ser imolado. Três dias completos, no quarto dia era imolado.

Havia um costume em Jerusalém, os levitas criavam cordeiros que já nasciam para morrer. Quando os peregrinos vinham, em cada época da Páscoa, eles entravam no décimo dia do mês pelo portão das ovelhas, trazendo os cordeirinhos, que eram vendidos para o sacrifício. Seguia-se o período de três dias completos, em que eles eram inspecionados; depois, então, eram apresentados ao sacerdote, para que o sacerdote declarasse se o cordeiro era próprio para o sacrifício.

Jesus é o cordeiro de Deus que nasceu para morrer. E no mesmo dia, quando os cordeiros entravam pelo portão das ovelhas em Jerusalém, Jesus entrou também pelo portão dourado, para ser inspecionado. E assim como os cordeiros eram vendidos para o sacrifício, o cordeiro de Deus também foi vendido para a nossa redenção.

 

O cumprimento da Aliança

Todos os anos os judeus se reúnem para comemorarem a Páscoa. Dentro de um saquinho, com três compartimentos, são colocados três pães, cada um num dos compartimentos: um, no meio, outro, e um terceiro. Se alguém perguntar: o que isso significa? Eles dirão que é o pão de Abraão, o pão de Isaque e o pão de Jacó. Mas na hora de partir o pão eles pegam o pão do meio, o de Isaque, mas não sabem porquê. Isaque é o filho de Abraão. E é o Filho de Deus que será partido. Cada Páscoa, eles partem o pão do meio, sem saber o que o filho de Abraão foi oferecido para que o Filho de Deus também o seja.

No dia da Páscoa Jesus entra no cenáculo para comer a refeição da nova aliança. Ele está com as suas vestes. É o filho de Deus que chega coberto com o manto da justiça de Deus. Ele chega, pega o pão do meio, e desvenda o mistério: “Isto é o meu corpo que é partido por vós” (Lc 22:14), dá de comer aos discípulos, e ele come do mesmo pão. Isso significa: “tua vida está entrando na minha”. Ele pega o cálice e diz: “este é o cálice da nova aliança no meu sangue (Mc 14:22-24)” e dá de beber ao homem e ele bebe do mesmo cálice. Nesta hora em que Jesus bebe do mesmo cálice há uma transferência, a vida do homem que está contaminada é transferida para Jesus.

Na hora em que ele comeu o pão e bebeu o cálice, tudo o que era do homem (morte, pecado, doença, maldição), foi transferido para Jesus. Este é o cordeiro de Deus. É o bode expiatório sobre quem os pecados da humanidade cai. Nesta hora, Jesus se torna o que o homem é. Ele, agora, deve comparecer perante o sumo sacerdote. Quem vai ali? Não é o filho de Deus, é o homem pecador. Agora, ele pode morrer porque se fez pecado (II Cor 5:21). A comida do homem entrou em suas veias. E ele chega diante do sumo sacerdote, ele é o cordeiro, e o sumo sacerdote diz: “Réu de morte!” Em outras palavras: “o cordeiro é próprio para o sacrifício. Pode morrer”.

Mas este cordeiro de Deus não será imolado apenas pela casa de Israel; seu sangue será vertido pela humanidade inteira, por todas as nações da Terra. Então é necessário que ele compareça perante o representante das nações gentílicas. E ele vai até Pilatos, autoridade romana. Pilatos olha para ele e diz: “não vejo nele crime algum (Lc 23:4). Em outras palavras: “o cordeiro é limpo, pode morrer”.

Mas este cordeiro de Deus será oferecido pelos seus inimigos também; será oferecido pelos traidores e por todos os pecadores. E, então, vem Judas que o trairá. Judas então declara: “é sangue inocente!” (Mt 27:4). Em outras palavras: “o cordeiro é limpo, é próprio para o sacrifício; eu o conheço, ele pode morrer”.

Quem vai ali? Não é outro senão eu e você. É o nosso pecado. Mas foi o Pai mesmo quem o entregou e, assim como Isaque, ele carrega sobre os seus ombros o lenho do sacrifício. Eis o filho de Deus carregando sobre os seus próprios ombros o lenho (a cruz), sobre o qual será sacrificado.

Quando ele é suspenso entre os céus e a terra, e Deus olha para o calvário, quem vê lá? Não é o seu filho, é o homem pecador. Aquela é a oferta queimada no altar. Aquela é a oferta do pecado morrendo fora da porta (Ex 29:14). É o pecado da humanidade inteira, por isso Deus volta as costas e Jesus morre a nossa morte. Morre espiritualmente, é separado de Deus e brada: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? (Mt 27:46). É aí que as minhas doenças, minha maldição estão queimando sobre ele no Calvário.

Isaías viu o que ninguém mais viu, lá no capítulo 53, ele estava desfigurado; nem parecia mais um homem, porque as dores se contorciam, as dores, as enfermidades, tudo o que era do homem caiu sobre ele na cruz. Ele se agoniza com horrores do inferno, como é descrito no Salmo 22.

O Sol recusa-se a brilhar sobre o Calvário. Há trevas sobre a Terra. O pecado da humanidade inteira cai sobre aquele homem. Seis horas se passam. Deus deu a terra aos filhos dos homens por seis dias. Seu sacrifício cobre todos os homens por seis dias. São seis períodos durante os quais ele se agoniza naquela cruz.

Mas vai chegando a hora do sacrifício no templo. Seis horas da tarde! E o ritual no templo é o mesmo do Calvário. O sumo sacerdote primeiro oferece a oferta queimada, e depois, por que é dia de expiação anual, ele leva o sangue da aliança até ao Santo dos Santos. Durante esse trajeto ninguém pode tocar nele, senão ficará imundo. Uma vez por ano, ele faz a mesma coisa, e entra no Santo dos Santos levando o sangue do cordeiro. Mas desta vez tudo é diferente no templo. Trevas cobrem a Terra. E, após oferecer a oferta queimada, há silêncio no templo. Todos os adoradores esperam lá fora silenciosos, para saberem se Deus vai aceitar o sacrifício. Quando começa a marchar para o santo dos Santos, brada a voz do cordeiro no Calvário: “Está consumado!” (Jo 19:30). Em outras palavras: “Terminou!” Terminou o quê? A velha aliança. O último sacrifício de Deus está sobre o altar, o Filho de Deus mesmo está sobre o altar. E na hora exata, em que o sumo sacerdote vai marchando, brada a sua voz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23:46). Nesta hora, a mão invisível do Todo-Poderoso pega o véu que separa o Santo dos Santos do lugar Santo e o rasga de alto a baixo. O caminho para o céu está aberto. O caminho do santuário está escancarado. Há um grito no templo: “Vamos morrer”. Mas ninguém morreu, todos viram o lugar santíssimo. Todos viram a arca da aliança, mas ninguém morreu. Por quê? Deus acabava de sair do santuário feito pelas mãos humanas, para mudar de residência; passaria a morar no coração de todo aquele que fosse lavado pelo sangue do cordeiro.

Deus tinha dito a Abraão: “circundarás a carne do seu prepúcio” (Gn 17:11). Abraão derramou o sangue da aliança, mas Deus não havia derramado o seu. Mas este sangue agora está sendo derramado, e é por isso que Atos 20:28 fala do sangue de Deus, com o qual ele comprou a Igreja. O sangue que estava em Jesus era o sangue de Deus, porque a semente que o gerou na terra era a semente de Deus.

Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. At. 20:28

Mas naquela hora Jesus vai à região dos mortos (Is 53:9). Ele tem o seu lugar na região dos ímpios. Satanás certamente não conseguiu entender o fato de Deus ter voltado as costas quando a morte veio sobre Jesus. Ele pensa que de alguma maneira, ele pecou. O Salmo 22 é a descrição de Jesus no hades. Mas quem estava ali era o nosso pecado sendo julgado. Satanás se regozija, os demônios festejam, eles pensam que destruíram o Filho de Deus. A verdade, porém, é que o pecado é que foi destruído.

O filho de Abraão teve a sentença de morte por três dias. Ao fim do terceiro dia, disse Deus do seu trono de graça: “a dívida está paga, o pecado está destruído. E o Espírito de Deus – o autor da vida – vem descendo do trono para penetrar os portões do hades. A luz de Deus penetra no inferno e ouve-se o grito de Deus: “meu filho está aí ilegalmente. Basta!” E o espírito de vida se move em Jesus. O pecado está vencido. Jesus ressurge. Ele venceu! Ele morreu, seu calcanhar foi ferido, mas eis que vive – o calcanhar está sarado – e agora ele chega no trono de Satanás e esmaga a cabeça da serpente (Gn 3:15). Ele arranca de suas mãos as chaves da morte e do inferno e tira de sua cabeça a coroa de autoridade que ele tomou do homem.

Depois disso ele passa para o outro lado; o seio de Abraão. Lá está Daniel, lá está Ezequiel, lá está Isaías, lá está Abraão, lá está Isaque, lá está Jacó, lá está Davi. Eu posso imaginar Davi à frente de todos declarando: “levantai, ó portas, as vossas cabeças, está entrando o Rei da Glória. Quem é este, o Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos. Ele é o Rei da Glória (Sl 24:7). Eles ressurgem e entram em Jerusalém, para depois serem levados com Jesus para a presença do Pai.

 

O unigênito se torna o primogênito

Mas ainda é necessário que ele leve o sangue ao Santo dos Santos no céu. O santuário da Terra era apenas a figura do verdadeiro, que está nos céus. Ele foi o Cordeiro oferecido em holocausto, mas agora é a figura do sumo sacerdote que comparecerá perante Deus.

Quando Jesus vai entrando pelos portais da glória, todos os anjos se levantam. Um homem está entrando no céu, um homem, pela primeira vez. Quando Jesus veio a esse mundo era apenas o espírito para tomar um corpo, mas quem entra agora na glória é um homem. Plenamente Deus e plenamente homem.

Quem estava ali diante de Deus? Era eu e você! Quem estava na cruz? Eu e você! Quem foi ao hades? Eu e você! Quem está entrando no céu? Você e eu nele. E quando ele chega, o Pai lhe diz: “Tu és meu filho; eu hoje te gerei”. Gerou a quem? O homem que estava em Jesus. Ele existe desde a eternidade, porque ele é Deus. Mas se tornou o que eu era.

Depois de o Pai dizer “tu és meu filho, eu hoje te gerei”; vira-se para os anjos e diz: “adorem-no: é Deus! Jesus é Deus! Vocês estão vendo um homem, mas é Deus; ele tomou sobre si um corpo e uma natureza de homem, mas é Deus. E se volta para Jesus e diz: “Deus, o teu trono subsiste para sempre (Hb 1:8).

Agora o unigênito, não é mais o unigênito, mas o primogênito. Ele já pagou a dívida do homem. O que era do homem eram só as dívidas. Eu não tinha bens, ele não tinha dívidas; mas ele levou minhas dívidas para me dar a sua riqueza. Eu não tinha do que viver, ele não tinha do que morrer; mas ele morreu a minha morte, para me dar a sua vida. Eu era todo pecado, ele era todo justiça; mas ele toma o meu pecado para me dar a sua justiça.

No cenáculo ele sopra sobre os discípulos e diz: “recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22). Quem está ali? O Filho de Deus. Nesta hora, o homem nasce de novo. O Pai olha e diz: “Eis os filhos que ele me gerou”. Satanás fica surpreso. Como!? Eu matei um, quantos são agora? Ele é a semente que desceu do céu. “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12:24). Jesus é a semente de Deus que desceu do céu e morreu, e, ao ressurgir dentre os mortos, não ficou só, começou a produzir milhares de outros filhos de Deus.

Esta é a realidade do Calvário: a vida de Jesus agora se torna a vida do homem. Hoje a minha vida entrou na dele. Ele é o cabeça de uma nova raça (Jo 6:54-57).

I Coríntios 15:45 fala de dois homens: o primeiro homem é Adão; o segundo homem é Jesus. Jesus é chamado de o último Adão. O que isso significa? Como último Adão, ele tomou tudo o que pertencia à natureza de Adão e o levou à cruz. Aí, ele se torna o segundo homem, o cabeça de uma nova raça.

Há dois cabeças de duas raças na Terra: Adão e Jesus. Paulo diz que o primeiro homem é terreno, é da terra; mas o segundo homem é do céu. O primeiro homem foi gerado de uma semente terrena, mas o segundo, de uma semente que desceu do céu. Os filhos do terreno são semelhantes ao terreno; mas os filhos do homem do céu são semelhantes ao homem celestial. Adão lança a sua semente na carne e tem filhos carnais. Jesus lança a sua semente no espírito e tem filhos espirituais.

Como este segundo homem gera filhos espirituais? Muito simples: o primeiro homem era a imagem de Deus, porém, satanás veio com a semente do pecado; o homem abriu o coração para essa semente e dentro dele nasceu um outro homem: o filho do pecado. E ele passou da vida para a morte. Ainda é o mesmo homem, mas a natureza que nele está é a da semente de Satanás, por isso seus filhos nascem pecadores.

Mas o que acontece em Cristo é o reverso do que acontece com Adão. Aquele homem que nasceu do pecado torna-se uma nova criação quando recebe no coração a semente de Deus que é a sua palavra. Se eu chego a este homem e digo: “Cristo Jesus se tornou o que você era para que você seja o que ele é. Ele nasceu como filho do homem para que você nasça como filho de Deus. Ele se tornou seu pecado, para que você seja justiça de Deus. Ele levou na cruz a sua maldição, para que você se sente no trono da glória. Ele morreu a sua morte, para que você viva a sua vida. Ele veio morar na terra, para que você possa morar no céu. Ele só era divino, você só era humano, mas ele tomou a sua natureza de homem para hoje lhe dar a sua natureza divina (II Pe 1:4). Ele lhe faz um convite para que você nasça como seu filho”. Qual é a sua resposta? Se o homem responde sim, nesta hora ele é transportado do reino das trevas para o reino do filho do amor de Deus (Cl 1:13). Dentro dele, nasce um novo homem, é filho de Deus, irmão de Jesus.

A semente que gerou Jesus na terra foi a Palavra de Deus. Quem fez a semente germinar? Foi o Espírito de Deus. A semente que gera este novo homem é a Palavra de Deus. Quem faz a semente germinar e nascer como filho? É o Espírito de Deus. Logo este novo homem e Jesus têm a mesma origem. Você e Jesus têm a mesma natureza.

Aliança é isto: tudo o que é meu tornou-se dele; tudo o que é dele tornou-se meu. Se alguém se une ao Senhor, é um só espírito com Ele (I Co 6:17). Deus não tem mais um filho unigênito; ele tem milhões de filhos que enchem a terra. E cada um carrega em si Jesus.

Quando você estiver à mesa do Senhor, cada vez que pegar o pão, diga: “meu pecado, minha maldição, minha morte, minhas fraquezas, minha derrota, minha condenação, Jesus levou há dois mil anos, no Calvário. Essas coisas não têm o direito legal de existir na minha vida. Quando você comer o pão, veja a vida de Jesus em você. Apenas declare: “Eu morri. A minha vida está escondida com Cristo, em Deus” (Cl 3:3). E vivo a vida do filho de Deus em mim. Isso vai levá-lo a viver com dignidade na terra, rejeitando o pecado, a carne, o mundo e o Diabo.

Você está doente hoje? Jesus levou sua doença há dois mil anos atrás. Paulo diz: “entre vós, há muitos fracos e doentes, e não poucos os que dormem, porque não sabem discernir o corpo” (I Cor 11:29,30). O corpo foi partido em benefício físico. É pelas suas chagas que somos sarados (I Pe 2:24). O sangue foi derramado para nos purificar do pecado, mas o pão aponta para as chagas pelas quais somos sarados. E quando você estiver participando da ceia, receba cura, receba libertação, receba perdão; tudo é seu. Tudo que é dele é seu.

 

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